Não Dói Mais
Isso costumava doer, já não dói mais.
Isso costumava doer, já não dói mais.
Tempo: Sou eu, sua maior tempestade atemporal, olá!
[Grito em meio às minhas lágrimas junto às gotas de chuva]
Tempo: Olha para você agora, parece tão desmontado, onde está aquele garoto que sonhava alto acima e além de tudo?
– Está aqui!
Tempo: Aqui onde?
– Olhe para o espelho e verás
[O relógio toca alertando o último suspiro do passado que um dia foi o presente]
Já estamos fora da floresta.
É tanta encenação, você não precisa fingir amá-lo (a), e também não precisa fingir ser outro(a).
Outra encenação.
Não me dói mais perceber toda encenação, porque de todos que já conheci, percebi em como cada cabeça e cada coração batia e agia em frente a mim.
A escuridão um dia se apossou de minha visão e ouvidos e não pude enxergar meu poder e ouvir minha intuição, e isso um dia se alastrou como fogo em mata e me transformou em cinzas já esfriadas.
Já estamos fora de perigo.
– Lembra de nós dois juntos? Você estava olhando fixadamente para mim naquela dança e estava a menos de dois centímetros de mim.
Essa foi uma das vezes que acreditei no amor;
Isso acabou e não dói mais.
– Lembra de quando esperei por sua companhia durante a minha vida toda e a única vez que isso aconteceu foi porque precisei te acompanhar na cama de um hospital porque você é um velho bêbado?
Essa foi a vez que meu pai precisou de mim;
Isso acabou e não dói mais.
– Lembra de quando eu passei por aquele corredor e você não me deixava passar em hipótese alguma?
Essa foi a primeira vez que enfrentei a dor de ser diferente;
Isso acabou e não dói mais.
– Lembra daquele momento em que você beijou a pessoa que eu mais amava?
Essa foi a lembrança de minha "melhor amiga" beijando quem eu amava (ela sabia disso);
Isso acabou e não dói mais.
– Lembra de quando você me fez engolir um remédio as suas forças, me causando ânsia de vômito?
Essa foi a vez que meu padrasto me medicou para dormir e não vomitar no carro durante a viagem;
Isso acabou e não dói mais.
São tantas dores já sentidas, digo "graças a deus" por aprender a adaptar minha mente e corpo para esse momento — resiliência para a vida.
Eu não ligo mais para as tantas maneiras que você (tempo) tenta me fazer aprender as coisas na marra, porque isso se tornou divertido.
Todos os momentos de ansiedade, angústias, profunda tristeza me diziam que eu estava pronto para uma nova aventura.
Não dói mais.
Esse joguinho de brincar com o meu tempo já perdeu a graça.
[O relógio toca alertando o último suspiro do passado que um dia foi o presente]
Agora estou no presente
No presente em que minhas dores se curam como café cura a preguiça;
No presente no qual as pessoas fingem ser outras, e eu observo enquanto eu sou eu, aquele que vê luz até mesmo na escuridão;
No presente em que eu sinto o passado como aprendizado e não como uma desgraça
Minha mãe me nomeou como Breno, mas o que é Breno sem meu passado, sem os meus principais elementos que construíram esse universo dentro de mim.
Por quantas metamorfoses foram necessárias passar para que eu chegasse a este Breno?
Hoje, dia 17 de setembro de 2023, me prepara para minha mais nova jornada:
130 dias para meus vinte anos, estou começando a construir um novo casulo para mais uma metamorfose repleta de transformações.
Este novo casulo estará mais sólido, evitando qualquer acidente durante minha ausência, fazendo com que tudo ocorra bem durante minha nova transformação.
Somos formados por transformações enquanto os dias vão e vem, e nesse meio tempo eu pude perceber cada ato executado por mim. Toda a força que construí neste meu ciclo sobrevoando esta fase de minha vida.
Não dói mais saber que estou crescendo e finalizando mais uma épica jornada.
Uma jornada que decidi caminhar por conta própria, carregando comigo apenas meu coração, minha mente e alma.
O tempo me permitiu descobrir as mais belas sensações, e os mais terríveis sentimentos da desgraça.
Construí força, ergui um legado, transformei minha vida para um todo sempre.
O que me restou agora é passado, e lembrança.
17 de setembro;
Breno Santos.





